O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (4), manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. A decisão foi unânime e interrompe o ciclo de cortes iniciado em março deste ano.
Segundo o Copom, a decisão ocorre em um cenário marcado por expectativas de inflação mais elevadas, maior incerteza e uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica brasileira. O comitê afirmou que a condução da política monetária exige serenidade e cautela diante desse quadro.
No comunicado divulgado após a reunião, o Banco Central afirmou que a manutenção da taxa é compatível com a estratégia de levar a inflação para próximo da meta no horizonte considerado relevante pela política monetária. . O objetivo também inclui reduzir as oscilações da atividade econômica e favorecer o pleno emprego.
O Copom destacou ainda que as expectativas de inflação para prazos mais longos permanecem desancoradas. Segundo o comitê, esse comportamento influencia a formação de preços e pode elevar o custo necessário para controlar a inflação.
No cenário doméstico, o Banco Central avaliou que os indicadores divulgados desde a última reunião, realizada em setembro, apontam para uma moderação mais acentuada da atividade econômica. O mercado de trabalho continua resiliente, embora apresente sinais de desaceleração.
A inflação também permanece como um dos principais fatores considerados pelo Copom. De acordo com o comunicado, a inflação cheia e a média dos indicadores subjacentes aceleraram nas divulgações mais recentes e ficaram acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta.
As projeções do mercado também se distanciaram da meta. Segundo o Boletim Focus divulgado na terça-feira (3), as expectativas para a inflação de 2026 e 2027 subiram para 5,22% e 4,76%, respectivamente. O Copom informou que, desde a reunião anterior, essas projeções se afastaram ainda mais do objetivo estabelecido para a inflação.
O próprio Banco Central elevou de 3,4% para 3,5% sua estimativa de inflação para o segundo trimestre de 2028, que atualmente é considerado o horizonte relevante para a política monetária. Nesse cálculo, o BC considera a trajetória da Selic projetada pelos analistas consultados pelo Focus.
No cenário internacional, o Copom apontou um ambiente mais adverso, principalmente em razão do prolongamento dos conflitos no Oriente Médio, que afetam os preços do petróleo e de seus derivados. A política monetária mais restritiva nas economias avançadas também foi citada pelo comitê.
Para o Banco Central, esse contexto exige cautela dos países emergentes, incluindo o Brasil, devido à volatilidade dos preços de ativos e das commodities.
A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar as pressões inflacionárias. Quando as projeções de inflação estão alinhadas às metas, o Copom pode reduzir os juros. Quando ficam acima do objetivo, a tendência é manter ou elevar a taxa.
Desde o início de 2025, a meta de inflação foi estabelecida em 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Ao definir a Selic, o Copom considera principalmente as perspectivas para a inflação futura, e não apenas os índices registrados nos meses anteriores.