TCE investiga obras do Hospital da Mulher. O que Jivago fez com os R$ 12 milhões

Tribunal aponta pagamentos incompatíveis com o avanço da obra e dá 180 dias para apurar o caso

O Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) determinou a abertura de uma Tomada de Contas Especial para investigar suspeitas de superfaturamento de R$ 11,9 milhões nas obras do Hospital da Mulher, em Teresina. Segundo reportagem do Manchete Nacional, assinada pelo jornalista José Ribas Netto, a fiscalização identificou diferenças entre os valores pagos e os serviços executados. Entre os citados na investigação está Jivago de Castro Ramalho, responsável técnico pela construção.

Foto: Reprodução/TCE
Hospital da Mulher, Teresina, esteve em fase de construção, mas obra nunca avançou.

A decisão foi tomada por unanimidade pela 1ª Câmara do TCE-PI, em sessão realizada no dia 6 de outubro. O valor sob suspeita é de R$ 11.928.017,06, referente a um contrato de R$ 57,6 milhões firmado entre a Fundação Municipal de Saúde (FMS) e a empresa Vanguarda Engenharia.

A Diretoria de Fiscalização de Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano (DFINFRA) identificou indícios de superfaturamento relacionados à quantidade e à qualidade dos serviços. Os técnicos concluíram que o estágio de execução da construção não correspondia às medições registradas nem aos pagamentos realizados.

Além de Jivago de Castro Ramalho, a representação menciona Ítalo Costa Sales, que presidia a FMS em 2024, Erick Mattheus Maranhão Silva, fiscal do contrato, e a empresa responsável pela obra. Erick Mattheus ocupa atualmente o cargo de gerente de engenharia da fundação.

Foto: Reprodução/ redes sociais
Jivago Castro

Até o momento, nenhum dos citados foi responsabilizado. A investigação deverá esclarecer se houve prejuízo aos cofres públicos e identificar eventuais responsáveis.

O Ministério Público de Contas (MPC) concordou com as conclusões da área técnica e defendeu que a apuração fosse conduzida diretamente pelo TCE-PI. Durante a sessão, o subprocurador-geral José Araújo Pinheiro Júnior apresentou o pedido, que foi acolhido apenas parcialmente pelo relator, conselheiro substituto Jackson Nobre Veras.

O relator decidiu que a investigação deverá começar no âmbito da Prefeitura de Teresina. Também rejeitou outras medidas propostas pelo MPC, por considerar que poderiam antecipar conclusões antes do encerramento da apuração.

A administração municipal terá 180 dias para concluir os trabalhos e encaminhar o relatório ao Tribunal. Caso o prazo não seja cumprido, o próprio TCE-PI poderá assumir a condução da Tomada de Contas Especial, conforme autorização já estabelecida na decisão.

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