Democratas conquistam maioria no Congresso dos EUA
Disputa também elege representantes inéditos para governos estaduais e o Senado, aumentando a diversidade política do país.
As eleições de meio de mandato realizadas em 3 de novembro de 2026, nos Estados Unidos, foram marcadas por mudanças no cenário político e conquistas históricas na representatividade. O Partido Democrata conquistou a maioria das cadeiras no Senado e na Câmara dos Representantes, retirando dos republicanos o controle das duas casas do Congresso e impondo uma derrota política ao presidente Donald Trump.
Além das disputas parlamentares, os eleitores escolheram governadores em 36 estados e em três territórios norte-americanos. As votações também foram marcadas pela eleição de mulheres, negros, indígenas, latinos e representantes de outras comunidades para cargos que nunca haviam sido ocupados por integrantes desses grupos.
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Os democratas conquistaram vitórias em estados tradicionalmente associados ao Partido Republicano e ampliaram sua presença no Legislativo. Nos dois anos anteriores, os republicanos controlavam as duas casas do Congresso. A nova composição poderá dificultar a aprovação de projetos defendidos pelo governo Trump e ampliar a fiscalização dos parlamentares sobre a administração federal, inclusive por meio de investigações.
Entre os resultados históricos está a eleição de Deb Haaland para o governo do Novo México. Democrata e integrante de um povo indígena, ela será a primeira mulher indígena a governar um estado norte-americano.
Em Minnesota, a vice-governadora Peggy Flanagan, integrante do povo ojíbua, também conhecido como chippewa, foi eleita para o Senado. Ela se tornou a primeira mulher indígena a conquistar uma cadeira na Câmara Alta do Congresso dos Estados Unidos.
No Alasca, a democrata Mary Peltola, integrante do povo yup’ik, também disputa um feito inédito: tornar-se a primeira indígena do estado eleita para o Senado. A apuração contra o republicano Dan Sullivan, candidato à reeleição, ainda estava em andamento nas informações divulgadas. Em 2022, Peltola já havia feito história ao se tornar a primeira indígena do Alasca eleita para a Câmara dos Representantes.
Outra vitória de destaque ocorreu na Geórgia, onde a democrata Keisha Lance Bottoms foi eleita governadora. Ex-prefeita de Atlanta, ela será a primeira mulher negra a governar um estado dos Estados Unidos e também a primeira pessoa não branca a ocupar o cargo na Geórgia. A conquista encerra uma trajetória de 250 anos sem que uma mulher negra chegasse ao comando de um governo estadual no país. Os 83 governadores anteriores do estado haviam sido homens brancos.
No Michigan, o médico Abdul El-Sayed foi eleito para o Senado e se tornou o primeiro muçulmano a ocupar uma cadeira na Câmara Alta do Congresso norte-americano.
Em New Hampshire, o deputado democrata Chris Pappas venceu o ex-senador republicano John E. Sununu e se tornou o primeiro homem assumidamente gay eleito para o Senado dos Estados Unidos. Durante a campanha, Pappas não colocou sua orientação sexual no centro do debate. Ele afirmou que não concorria para fazer história e destacou que o tema não foi uma questão central entre os eleitores.
A presença de representantes negros também avançou nas disputas para os governos estaduais. Em Maryland, Wes Moore, terceiro governador negro da história dos Estados Unidos e único atualmente no cargo, foi reeleito.
Na Flórida, o republicano Byron Donalds foi eleito e se tornará o primeiro governador negro do estado. Em Wisconsin, o democrata David Crowley também conquistou uma vitória histórica ao se tornar o primeiro governador negro eleito pelos moradores do estado.
Na Geórgia e na Flórida, as vitórias de Keisha Lance Bottoms e Byron Donalds representam outra mudança na representação política dos estados do sul, que passarão a ter, pela primeira vez, pessoas negras à frente de seus governos.
A representação latina também ganhou espaço nas eleições. No Texas, a democrata Gina Hinojosa foi eleita governadora após os eleitores rejeitarem o republicano Greg Abbott. Ela será a primeira mulher latina a comandar o estado.
Na Califórnia, Xavier Becerra, ex-procurador-geral estadual, venceu o republicano Steve Hilton. Ele será o primeiro governador latino do estado desde Romualdo Pacheco, que ocupou o cargo em 1875.
O resultado das eleições também altera a relação entre o Congresso e a Casa Branca. Com os democratas no comando do Senado e da Câmara dos Representantes, Trump terá de enfrentar uma oposição com maior capacidade de bloquear propostas, dificultar a aprovação de novas leis e conduzir investigações sobre seu governo.
Fonte: Com informações do EuroNews