Sul do Brasil registra cinco tornados em menos de uma semana

Fenômenos atingiram os três estados, deixaram duas mortes confirmadas e milhares de imóveis danificados

A região Sul do Brasil registrou cinco tornados em menos de uma semana, entre os dias 1º e 4 de novembro. Os fenômenos atingiram Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, provocando destruição, interrupções no fornecimento de energia elétrica e milhares de residências danificadas. Duas mortes foram confirmadas em Santa Catarina, enquanto outros dois óbitos no Rio Grande do Sul permaneciam sob investigação para verificar possível relação com os eventos meteorológicos.

Foto: Reprodução | Divulgação

De acordo com levantamento baseado em informações das Defesas Civis e dos órgãos estaduais de monitoramento meteorológico, Santa Catarina concentrou três ocorrências, enquanto Rio Grande do Sul e Paraná registraram um tornado cada. A sequência de tempestades também provocou quedas de árvores, destelhamentos, alagamentos e a necessidade de retirada de famílias de suas casas.

Santa Catarina foi o estado com o maior número de tornados confirmados. Os fenômenos atingiram Chapecó, Xanxerê e Rio Negrinho, deixando duas vítimas fatais, uma em Xanxerê e outra em Rio Negrinho.

Em Chapecó, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou rajadas de vento de até 126 km/h. Em outras cidades catarinenses atingidas pelos temporais, as velocidades chegaram a variar entre 90 km/h e 131 km/h.

A confirmação do tornado em Rio Negrinho ocorreu após a análise de imagens do radar meteorológico de Teixeira Soares, no Paraná. Os registros, feitos na quarta-feira (4), entre 13h16 e 13h31, permitiram identificar características do fenômeno durante a passagem de uma linha de instabilidade pela região.

Os impactos dos temporais ultrapassaram os municípios atingidos diretamente pelos tornados. Segundo o balanço estadual, 120 municípios catarinenses registraram ocorrências, dos quais 44 decretaram situação de emergência.

Ao todo, 5.893 residências foram afetadas. O levantamento também contabilizou 56 pessoas desabrigadas e outras 272 desalojadas, além de 19 solicitações de itens de assistência humanitária para atender às famílias prejudicadas.

No Rio Grande do Sul, a Defesa Civil confirmou um tornado na manhã de quarta-feira (4), durante a passagem de uma linha de instabilidade pelo Norte do estado. O fenômeno atingiu áreas dos municípios de Erval Grande, Itatiba do Sul e Barra do Rio Azul.

A confirmação foi realizada pelo Centro de Monitoramento da Defesa Civil (CMDEC), após análise de imagens, vídeos e registros das ocorrências nas localidades atingidas.

O balanço gaúcho aponta 148 ocorrências em 134 municípios desde o início de novembro. Desse total, 130 cidades apresentaram danos humanos ou materiais. Entre os prejuízos registrados estão 14 residências completamente destruídas, 7.013 imóveis danificados e 2.422 com telhados arrancados ou parcialmente comprometidos. Outros 110 imóveis foram atingidos por alagamentos.

Os temporais deixaram 97 pessoas desabrigadas e 289 desalojadas. Também foram registrados 25 feridos. Duas mortes permaneciam sob investigação, aguardando apuração das autoridades para determinar se tiveram relação com os fenômenos meteorológicos.

No Paraná, o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) confirmou que o fenômeno registrado em Maringá, no Norte do estado, entre domingo (1º) e segunda-feira (2), foi um tornado de categoria F2.

A passagem do tornado provocou danos em diferentes regiões do município. As autoridades contabilizaram 862 quedas de árvores e aproximadamente 86 mil residências ficaram sem energia elétrica. A sede do Corpo de Bombeiros também sofreu danos severos, com destruição de sua estrutura.

Diante dos prejuízos, o prefeito Silvio Barros decretou situação de emergência em Maringá, medida que permite agilizar procedimentos administrativos para o atendimento das áreas atingidas e a mobilização de recursos.

A categoria F2 corresponde a tornados com ventos estimados entre aproximadamente 181 km/h e 253 km/h, conforme a escala Fujita. A classificação considera os danos provocados pelo fenômeno e permite estimar sua intensidade.

Leia também