Sistema criado pela USP reduz em 55,7% o consumo de ar-condicionado
Tecnologia automatiza o funcionamento dos aparelhos e recebeu prêmio internacional por pesquisa científica
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Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um sistema capaz de reduzir em 55,7% o consumo de energia elétrica de aparelhos de ar-condicionado em testes de laboratório. A tecnologia, chamada Koala, utiliza sensores para monitorar as condições do ambiente e controlar automaticamente a climatização, sem a necessidade de modificar os componentes internos dos equipamentos.
O sistema foi desenvolvido no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), em São Carlos, durante a pesquisa de mestrado de Lucas de Souza Marques, sob orientação do professor Júlio Cezar Estrella. O trabalho recebeu o prêmio de melhor artigo científico na 10ª Conferência Internacional IEEE sobre Internet Inteligente das Coisas (SmartIoT 2026), realizada em agosto, na China.
Nos experimentos, conduzidos com dois aparelhos de ar-condicionado no Laboratório de Sistemas Distribuídos e Programação Concorrente (LaSDPC), o consumo mensal de energia caiu de 101,68 quilowatts-hora (kWh) para 45,04 kWh. A economia foi de 56,64 kWh em relação ao funcionamento sem automação.
Mesmo com a redução no consumo, a temperatura do ambiente permaneceu entre 23°C e 26°C, faixa estabelecida pelos pesquisadores para os testes.
Como funciona a tecnologia
O Koala utiliza o conceito de Internet das Coisas (IoT), que permite conectar sensores e equipamentos para coletar informações e executar comandos automaticamente.
Dispositivos instalados no ambiente acompanham indicadores como temperatura, umidade, luminosidade e consumo de energia. As informações são enviadas à plataforma, que decide quando ligar ou desligar o ar-condicionado com base em regras previamente programadas.
Uma das funções testadas associa a climatização à iluminação da sala. Quando as luzes são acesas, o sistema pode ligar o ar-condicionado. Ao serem apagadas, o equipamento é desligado automaticamente, evitando que continue consumindo energia em um ambiente possivelmente desocupado.
A estratégia, entretanto, apresenta uma limitação: o sistema não identifica diretamente a presença de pessoas. Por isso, apagar as luzes não significa necessariamente que o espaço esteja vazio.
A plataforma também permite acompanhar o funcionamento dos aparelhos em tempo real e atualizar os dispositivos remotamente.
Sistema pode funcionar em aparelhos já instalados
Uma das características do Koala é a possibilidade de adaptação a equipamentos existentes. Em vez de exigir alterações nos motores ou circuitos internos, a tecnologia utiliza um dispositivo conectado à rede que reproduz os comandos de um controle remoto convencional.
Segundo os pesquisadores, o sistema já foi experimentado com aproximadamente dez marcas de ar-condicionado. A compatibilidade com outros modelos ainda deverá ser ampliada e avaliada.
O pesquisador Lucas de Souza Marques, atualmente doutorando do ICMC, afirmou que o reconhecimento internacional foi uma surpresa.
“Só do artigo ter sido aceito e de eu ter ido apresentá-lo na China já foi um grande impacto. E, quando recebi a premiação junto com os outros pesquisadores, foi uma grata surpresa”, declarou.
Embora os resultados indiquem potencial de economia, a redução de 55,7% foi obtida em condições específicas de laboratório. O desempenho em residências, escritórios ou estabelecimentos comerciais poderá variar conforme o uso dos aparelhos, a temperatura externa, as características do ambiente e as regras de automação adotadas.
A pesquisa continua em desenvolvimento, com estudos para ampliar a aplicação da plataforma e avaliar seu funcionamento em diferentes equipamentos.
Fonte: Com informações do Jornal da USP