Uma pesquisa com 24.532 trabalhadores da indústria de petróleo e gás identificou que 63,9% dos profissionais atuam sob contratos de terceirização. O levantamento, divulgado pelo Programa Macrorregional de Caracterização Socioespacial dos Trabalhadores (PMCST), também aponta a predominância masculina no setor e a concentração da mão de obra no estado do Rio de Janeiro.
Os dados foram coletados em 2024 e consolidados em 2025, com participação de profissionais ligados às atividades de produção e escoamento de petróleo e gás nas bacias de Santos, Campos e Espírito Santo. Segundo o programa, os entrevistados representam aproximadamente 38% dos trabalhadores abrangidos pelo estudo.
Além dos terceirizados, 0,8% dos participantes declararam atuar como autônomos. A pesquisa também identificou que 62% dos profissionais trabalhavam em regime embarcado, em instalações marítimas da indústria.
Mulheres representam menos de 17% dos trabalhadores
A participação feminina correspondeu a 16,7% dos respondentes, enquanto os homens representaram 83,3%. A diferença foi ainda maior entre os trabalhadores embarcados, grupo no qual 94% dos participantes eram homens.
No trabalho remoto, entretanto, a distribuição foi mais equilibrada. Entre os profissionais em regime de home office, 54% eram homens e 46% mulheres.
Os resultados mostram diferenças na composição da força de trabalho conforme a modalidade de atuação. O levantamento divulgado não detalha, porém, as razões para a menor presença feminina nas atividades embarcadas.
Rio de Janeiro concentra maior parcela dos profissionais
A pesquisa também analisou os municípios de residência dos trabalhadores ligados à indústria offshore, especialmente daqueles que atuam em terra.
A cidade do Rio de Janeiro concentrou 17,4% dos participantes, seguida por Macaé, com 11%, Campos dos Goytacazes, com 7,15%, e Rio das Ostras, com 4,96%.
Fora do estado fluminense, Santos, em São Paulo, apareceu com 4,18%, enquanto Vitória, no Espírito Santo, registrou 2,85%. Vila Velha e Serra, também no Espírito Santo, tiveram participações de 2,21% e 1,74%, respectivamente.
Dos dez municípios com maior presença de trabalhadores da indústria, seis estão localizados no litoral do Rio de Janeiro.
A concentração territorial é um dos aspectos investigados pelo PMCST para compreender a relação entre os locais de residência, formação profissional, embarque e trabalho.
Estudo busca identificar impactos da indústria sobre os municípios
Segundo a coordenadora do programa, Eliza Barbosa, o levantamento permite compreender aspectos do mercado de trabalho que não costumam aparecer nos estudos ambientais dos empreendimentos petrolíferos.
“A pesquisa auxilia no entendimento de quais são os locais mais demandados para embarque, trabalho e moradia, se há municípios que se destaquem na formação dessa mão de obra, se a quantidade de estrangeiros trabalhando no setor é significativa, entre outras questões”, afirmou.
Ela explica que os estudos ambientais normalmente apresentam estimativas de empregos gerados durante a instalação e a operação dos empreendimentos, mas não detalham as características socioeconômicas dos profissionais contratados.
O PMCST integra as exigências do licenciamento ambiental federal conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Sua execução é de responsabilidade das empresas que operam empreendimentos petrolíferos nas três bacias contempladas.
O programa pretende acompanhar as transformações nas relações de trabalho e nos deslocamentos dos profissionais, reunindo informações que possam subsidiar análises sobre os impactos sociais e territoriais da indústria de petróleo e gás.