O piauiense Chico Lucas, atual secretário nacional de Segurança Pública, está entre os nomes considerados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para comandar o Ministério da Segurança Pública, cuja criação é preparada pelo governo federal. Segundo o jornalista Matheus Leitão, do Metrópoles, o preferido do presidente é o promotor Lincoln Gakiya, conhecido por suas investigações contra o Primeiro Comando da Capital (PCC). Caso ele não aceite o convite, Chico Lucas deverá ser o escolhido.
A informação foi publicada na terça-feira (3), quando o governo ainda aguardava a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública no Senado. O texto foi aprovado no mesmo dia, por 75 votos a zero, em segundo turno, e agora aguarda promulgação pelo Congresso Nacional. A aprovação abriu caminho para o governo avançar na criação de um ministério exclusivo para a área, atualmente vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Lula pretende instalar a nova pasta por meio de medida provisória, possivelmente ainda em novembro. O presidente confirmou a intenção após a votação no Senado e afirmou que o ministério deverá priorizar inteligência, planejamento e cooperação com estados e municípios no enfrentamento às facções criminosas e milícias.
Passagem pelo Piauí fortalece nome de Chico Lucas
Francisco Lucas Costa Veloso, conhecido como Chico Lucas, comandou a Secretaria de Segurança Pública do Piauí durante o primeiro mandato do governador Rafael Fonteles (PT). Antes de assumir a pasta, foi policial rodoviário federal e procurador do Estado, além de ter presidido a associação da categoria.
Lucas também coordenou a campanha que elegeu Rafael Fonteles governador em 2022. Sua passagem pela segurança estadual foi marcada pela adoção de ferramentas de inteligência policial, integração entre as forças de segurança e programas de recuperação de aparelhos roubados e furtados.
Sob o Comando de Chico Lucas na pasta da Segurança, o Piauí registrou redução de 31% nas mortes violentas. Os homicídios caíram 30% no estado e mais de 41% em Teresina. Também foram registradas quedas de 44% nos latrocínios, 38% nos roubos de veículos e 53% nos roubos de celulares.
O programa Meu Celular de Volta, implantado durante sua administração, recuperou e devolveu mais de 14 mil aparelhos aos proprietários. Os resultados da gestão estadual contribuíram para sua indicação à Secretaria Nacional de Segurança Pública, cargo que assumiu em 2026, durante a gestão do ministro Wellington César Lima e Silva.
A eventual escolha de Chico Lucas representaria sua passagem do comando de uma secretaria nacional para a chefia de um ministério. O nome do piauiense também conta com o apoio político do governador Rafael Fonteles, conforme apuração publicada pelo UOL.
Promotor que combate o PCC é o preferido de Lula
Apesar da presença de Chico Lucas nas negociações, Lincoln Gakiya é apontado como a primeira opção do presidente. Integrante do Ministério Público de São Paulo, o promotor atua há mais de duas décadas em investigações contra o PCC.
Gakiya participou de operações contra a estrutura financeira e operacional da facção e, em 2019, liderou o pedido de transferência de Marcola e outros integrantes da cúpula da organização para presídios federais.
O promotor também foi alvo de planos de assassinato atribuídos ao grupo criminoso e passou a viver sob proteção policial.
Segundo Matheus Leitão, Gakiya já foi sondado para assumir o ministério. Ele mantém interlocução com órgãos de investigação dos Estados Unidos, como o FBI e a DEA, e possui experiência no enfrentamento ao crime organizado.
Durante a campanha presidencial, o então candidato Ronaldo Caiado chegou a anunciar Gakiya como seu escolhido para a Segurança Pública caso fosse eleito.
Além de Gakiya e Chico Lucas, outros nomes foram mencionados nas articulações políticas, entre eles Rui Costa e Camilo Santana, embora a preferência relatada pela imprensa recaia sobre o promotor paulista.
PEC amplia atuação federal na segurança
A PEC da Segurança Pública, aprovada pelo Senado, inclui o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) na Constituição e amplia as atribuições da União na coordenação das políticas de segurança.
O texto também fortalece as competências da Polícia Federal, abre caminho para a criação de polícias municipais e estabelece medidas mais rigorosas contra integrantes de facções criminosas e milícias.
Entre as mudanças estão regras para cumprimento de penas em presídios de segurança máxima, restrições à progressão de regime e confisco de bens associados a atividades criminosas.
A proposta ainda prevê destinar 10% do superávit financeiro anual do Fundo Social, vinculado às receitas do pré-sal, aos fundos nacionais de segurança pública e penitenciário.
A discussão sobre a redução da maioridade penal ficou fora do texto aprovado. Senadores apresentaram emendas sobre o tema, mas a inclusão de alterações exigiria uma nova análise da Câmara dos Deputados, o que poderia atrasar a promulgação da PEC.
Com a votação concluída, o governo aguarda a formalização da emenda constitucional para avançar na criação do ministério. A definição do titular permanece em aberto, e não houve anúncio oficial de convite ou nomeação para o cargo.