A imagem do homem que precisa ser forte o tempo todo ainda influencia a forma como muitos lidam com a própria saúde. Adiar consultas, ignorar sinais do corpo e evitar conversas sobre vulnerabilidade são comportamentos que dificultam a busca por cuidado. No Novembro Azul, campanha dedicada à saúde masculina, a história de César Aarão ajuda a colocar essa relação em perspectiva.
Paulistano, trainer comportamental e atleta de endurance, César conheceu os limites da resistência física e emocional de forma inesperada. Em setembro de 2023, aos 50 anos, completou uma prova de Ironman 70.3, que reúne 1,9 km de natação, 90 km de ciclismo e 21 km de corrida. No dia seguinte, recebeu o diagnóstico de melanoma metastático, um câncer de pele.
A experiência transformou sua relação com o corpo, com o tempo e com a própria ideia de força. Acostumado a estabelecer metas e superar desafios no esporte, ele se viu diante de uma situação em que disciplina e condicionamento físico não bastavam. O tratamento exigiu acompanhamento médico e uma nova maneira de encarar o cotidiano.
Embora seu diagnóstico não tenha sido de câncer de próstata, a trajetória de César dialoga com uma questão central do Novembro Azul: a necessidade de ampliar o autocuidado masculino para além de uma campanha ou de uma doença específica. O Ministério da Saúde destaca que a saúde do homem envolve também saúde mental, prevenção de outras doenças, hábitos saudáveis e cuidado integral.
Para César, falar sobre saúde masculina é questionar a ideia de que pedir ajuda é sinal de fraqueza. Cuidar de si não se resume a manter uma rotina de exercícios ou procurar atendimento quando algo já vai mal. Significa reconhecer limites, prestar atenção aos sinais do corpo e buscar orientação profissional.
A vivência do câncer mostrou que preparo físico não torna ninguém imune ao adoecimento. O esporte seguiu importante em sua trajetória, mas passou a dividir espaço com outras dimensões do cuidado: o acompanhamento médico, o suporte emocional e a rede de pessoas que esteve ao seu lado durante o tratamento.
A história também abre espaço para discutir a relação dos homens com a prevenção. Em vez de tratar o cuidado como obrigação pontual em prevenção. Em vez de tratar o cuidado como obrigação pontual em novembro, a proposta é incentivar uma postura contínua, com consultas e decisões individualizadas junto aos profissionais de saúde. No caso do câncer de próstata, a orientação sobre exames deve considerar a situação de cada homem, os possíveis benefícios e riscos, sempre em conversa com um profissional de confiança.
Depois do tratamento, César voltou às provas e cruzou a linha de chegada da Maratona de Nova York identificado como sobrevivente do câncer. A trajetória virou o livro Depois da Linha de Chegada: memórias de uma travessia entre performance, doença e presença, em que ele reflete sobre desempenho físico, doença e transformação pessoal e serás lançado em Dezembro.
Sua mensagem para o Novembro Azul vai além da performance: cuidar da saúde também exige saber desacelerar, pedir ajuda e aceitar que ninguém precisa enfrentar tudo sozinho.