O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisará participar mais diretamente das negociações com o Congresso Nacional durante seu quarto mandato, previsto para começar em janeiro de 2027. A avaliação é de Cristiano Noronha, vice-presidente da consultoria Arko Advice, em entrevista ao programa WW, da CNN Brasil. Segundo o especialista, a nova composição do Legislativo, com maioria de parlamentares de direita na Câmara e no Senado, deve exigir uma articulação política mais intensa do Palácio do Planalto para garantir apoio às propostas do governo.
Na análise de Noronha, o envolvimento pessoal de Lula nas conversas com deputados e senadores pode facilitar a construção de acordos e ampliar as chances de aprovação de projetos. Por outro lado, essa exposição também pode trazer desgaste político ao presidente, especialmente quando as negociações não resultarem em vitórias legislativas. O especialista observa que Lula já demonstra uma postura mais próxima dos principais representantes do Congresso, com iniciativas como o convite aos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para acompanhá-lo à COP31.
Outro desafio apontado é a dificuldade de garantir fidelidade dos partidos que integram a base governista. Noronha lembrou que, durante o terceiro mandato, o União Brasil ocupou três ministérios, mas entregou entre 60% e 65% de apoio nas votações da Câmara. Para o especialista, a distribuição de cargos no governo não assegura, necessariamente, o alinhamento das bancadas nas decisões do Legislativo. Por isso, a tentativa de cobrar maior compromisso dos aliados deverá fazer parte da estratégia política do próximo governo.
O cenário será ainda mais complexo porque a direita conquistou maioria nas duas Casas nas eleições de 2026, enquanto o PL terá a maior bancada tanto na Câmara quanto no Senado. A nova legislatura começa em 1º de fevereiro de 2027, e o governo precisará negociar apoio para avançar propostas como as PECs da Segurança Pública e da Tarifa Zero no transporte público. Além de buscar acordos com partidos do Centrão, Lula terá de lidar com pautas defendidas pela oposição e com a disputa pelo comando do Congresso, fatores que podem influenciar a governabilidade nos próximos anos.