Flávio Bolsonaro afirma que decidiu deixar o Brasil após intimação da PF
Senador diz que viagem aos Estados Unidos não foi planejada e nega ajuda de terceiros
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que decidiu deixar o Brasil após ser intimado pela Polícia Federal (PF), quando saía da residência do ex-presidente Jair Bolsonaro, no dia seguinte ao resultado do segundo turno das eleições presidenciais. Em vídeo publicado nesta sexta-feira (6), diretamente dos Estados Unidos, o parlamentar declarou que a viagem não havia sido planejada antecipadamente e que seu pai não sabia da decisão. Flávio foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Palácio do Planalto e deixou o país acompanhado da esposa e das duas filhas.
Segundo o senador, a visita ao pai tinha como objetivo conversar sobre o resultado eleitoral e ouvir suas impressões sobre o cenário político. Ao deixar o imóvel, porém, encontrou agentes da PF que cumpriam a intimação para a entrega de seus passaportes. Flávio relatou que Jair Bolsonaro pediu para conversar reservadamente por alguns instantes e perguntou se ele já sabia como a situação poderia se desenrolar. O parlamentar afirmou que respondeu estar preparado para o que poderia acontecer.
- Participe do nosso grupo de WhatsApp
- Participe do nosso grupo de Telegram
- Confira os jogos e classificação dos principais campeonatos
Na gravação, Flávio também negou que outras pessoas tenham participado da decisão de sair do Brasil ou ajudado a organizar o deslocamento. De acordo com ele, a escolha foi tomada em conjunto com a esposa e a família, que teriam compreendido os riscos envolvidos. “Não teve influência de ninguém, não teve participação de ninguém, não teve ajuda de ninguém”, declarou. Apesar da negativa, o senador afirmou que não poderá revelar quem esteve envolvido na estrutura utilizada para viabilizar a viagem. Reportagens anteriores apontaram a possível participação de terceiros na logística, incluindo a disponibilização de aeronaves.
A saída do parlamentar é investigada pela Polícia Federal após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que ordenou a entrega dos passaportes e proibiu Flávio de deixar o país. A medida foi adotada no âmbito de uma investigação que envolve o senador e o advogado Willer Tomaz. Em manifestação anterior, a PF informou que não encontrou registro oficial da saída de Flávio pelos postos de controle migratório brasileiros e que apura as circunstâncias do descumprimento das determinações judiciais. O senador, por sua vez, também negou ter recebido ajuda de governos estrangeiros para deixar o território nacional.
Fonte: Correio Braziliense